sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O FIM DE MAIS UMA HIPOCRISIA



O Rio de Janeiro parece dar sinais de está começando a se livrar da sua triste tradição de hipocrisias e oportunismos políticos paliativos midiáticos. Depois de derrubar a absurda lei que causava embaraços para a realização de bailes funk e raves, agora outro ítem proibido, fruto da cidade volta a ser legalizado: o MMA (antigamente conhecido como vale-tudo).

Esta modalidade esportiva que há muito vem conquistando fãs em todo o mundo, que possui várias revistas especializadas e inclusive um canal de TV por assinatura, que movimenta milhões de dólares planeta à fora, desde setembro de 1997 estava proibida na cidade do Rio de Janeiro, berço deste esporte. Na ocasião e eu estava presente, em um torneio de vale-tudo realizado no ginásio do Tijuca Tenis Clube, no meio da luta principal da noite entre Renzo Gracie (Jiu-Jitsu) e Eugênio Tadeu (Luta Livre) houve uma pane de luz que provocou a interrupção do combate. Na sequência começou uma pancadaria na platéia e o evento terminou desta forma triste. Na época, o então Secretário Municipal de Esportes, José Moraes, reuniu os presidentes das entidades ligadas a luta na prefeitura - onde estive também representando a Liga Carioca de Jiu-Jitsu - e anunciou que por decisão do então Prefeito Luis Paulo Conde, o Vale-Tudo estava proibido na cidade do Rio de Janeiro.

É aquela velha piada: ocorreu um problema. Em vez de se procurar as causas do problema e procurar medidas efetivas de organização para que o problema não volte a acontecer, preferem proibir. Com isso gera-se o fato na mídia e atende-se aquela parcela reacionária que encara tudo como "perturbação da ordem pública". Único dos presentes a contestar de forma veemente a medida ( a Liga talvez fosse naquela reunião a única entidade não patrocinada pela Secretaria de Esportes) eu fiz a comparação: "engraçado: quantas pancadarias já tiveram em jogos no Maracanã, inclusive com mortes? E aí? proibiram o futebol?" No que fui abafado pelos puxa-sacos de plantão, que deram razão ao Secretário.

Neste sábado, dia 12 de setembro, no Maracanãzinho, o Rio terá de volta o velho e bom vale-tudo, agora altamente profissionalizado e com o nome universal de MMA (Mixed Martial Arts), com o apoio das 3 esferas do poder público. As antigas rivalidades entre as artes marciais foram superadas, uma vez que hoje em dia, um só tipo de técnica não é mais o suficiente para se conseguir a vitória, o que obriga esta trasnversalidade de técnicas, que leva um lutador a treinar com professores de outras modalidades e com isso a tensão ficou bem menor, principalmente entre as torcidas. Que o Bitetti Combat seja o primeiro de vários eventos e que ocorra na maior organização e paz possível

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A VITÓRIA DO FUNK



Deputados estaduais do Rio votaram, no início da noite desta terça-feira (1º), a favor da revogação da lei que impõe normas para a realização de eventos como raves e bailes funk em comunidades do Rio. Na mesma sessão, os deputados também aprovaram o projeto de lei que define o funk como movimento cultural.

A lei revogada nesta terça era de autoria do deputado cassado Álvaro Lins, ex-chefe de polícia no governo de Rosinha Garotinho, e foi aprovada no dia 27 de maio de 2008

O projeto de lei aprovado será encaminhado para a sanção do governador Sérgio Cabral. Segundo a assessoria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a nova lei assegura a realização de manifestações próprias relacionadas ao funk e diz que os assuntos relativos ao estilo sejam, prioritariamente, da competência de secretarias ou outros órgãos ligados à cultura.

Centenas de funkeiros e admiradores do ritmo carioca ficaram reunidos em frente Alerj, com carro de som, aguardando a votação dos deputados estaduais.

Grandes nomes não só do funk, mas também do samba, estavam presentes nas escadarias da Alerj: Neguinho da Beija-Flor e Ivo Meirelles, que levou a bateria da Mangueira para o encontro. DJ Malboro e Rômulo Costa (fundador da Furacão 2000) comandam o movimento, enquanto MC Leonardo (presidente da Associação de Profissionais e Amigos do Funk) e MC Júnior animavam mais de 400 pessoas que se aglomeraram em frente à Alerj.

Além do nosso apoio expressado aqui no blog e em outros canais da internet, estivemos presentes, tanto na audiência pública (foto ao lado do camarada Guilherme da Nação Hip Hop), como também na votação da ALERJ. O mais interessante foi ver aquele monte de deputado que votou à favor da lei fazendo mea culpa e se dizendo "funkeiro desde crinacinha". Até o reacionário deputado Flávio Bolsonaro subiu à tribuna para dizer que "desde criança ouvia a Furacão 2000".

Bem, independente de qualquer coisa, não posso deixar de destacar a união do movimento funk (quem dera que isso acontecesse no hip hop) liderado pelo MC Leonardo à frente da APA-Funk e também a dedicação do Deputado Marcelo Freixo, que comprou o barulho e encaminhou o processo dentro da ALERJ.

Foi um momento histórico, não só para o funk, mas para a cultura brasileira, esta que no seio de sua "intelectualidade" infelizmente ainda é tão preconceituosa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

PLAYLIST ATENDENDO À PEDIDOS

Lil Wayne feat Young Money - Every girl
Maino feat T-Pain - All the above
MV Bill - O bonde não para
Chali2Na feat Talib Kweli - Lock shit down
Kid Cudi feat Kanye West & Common - Poker face
Yung LA feat Young Dro & TI - Aint I
Nelly feat Diddy & Biggie - 1000 stacks
Kurupt - I´m burn
Jadakiss - Who´s real?
Fabolous - Everything everyday everywhere
New Boyz - You´re a jerk
Drake - Best i ever had

Reflexões antigas, que se atualizam no dia-a-dia

“ Essa minha independência
provém da minha coerência
de perder a paciência
com qualquer tipo de interferência
que venha afetar a minha essência
não abro mão da minha consciência
e fica aqui minha advertência
à todo aquele que vive de maledicência
pois não conta com minha benevolência
nenhuma espécie de clemência
e não me venha com papo de carência
pra justificar sua insuficiência
meu irmão, toma tendência
pois pro injusto eu não bato continência
o que garante minha existência
por mais que torçam pela minha falência
se curvam diante da minha imponência
que provoca sua indefectível impotência
pois só se estabelece quem tem competência
três ponto cinco de vivência
garante essa experiência
caráter sim, por excelência
O Rap é minha bandeira e minha influência
dignidade, postura e decência”

domingo, 2 de agosto de 2009

As histórias da "pista"

Conforme foi noticiado em primeira mão pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, em sua coluna Gente Boa do jornal O Globo, comecei a escrever um livro com o título provisório de "Na pista" - da gíria carioca que significa "na rua", "na vida", onde vou retratar as histórias que vi, vivi e ou vi ao longo de mais de 30 anos de vida. Aqui, para os amigos leitores do blog, antecipo a sinopse de uma delas:

"O M da verdade" - Havia um sujeito que andava por Botafogo, que, sem sombra de dúvidas era um dos maiores cascateiros. Vou chamá-lo pela alcunha de Menerval para preservá-lo. Dizia que era sobrinho do Roberto Carlos , que o seu pai era assessor do então governador Brizola, que por isso só assistia o jogo na tribuna de honra do Maracanã (foi visto várias vezes na antiga geral), entre outras mentiras. Mas as mais cabeludas foram ele dizendo que estava pegando onda na praia em frente ao Hotel Merdidén e o mar estava tão alto, mas tão alto, que ao furar uma onda, deu pra ver a Morada do sol do outro lado do morro. E por último: ele estava descendo a Joatinga de carro (niguém nunca o viu dirigindo algum) e perdeu o freio. Não restando alternativa, deu um soco no velocímetro e com muito custo, forçou o ponteiro até o carro parar. E o tal Menerval era um sujeiro meio marrento e queria brigar com quem questionasse suas histórias. Ele sempre usava um boném com a letra M estampada. O povo costumava dizer que era o "M da verdade".

Estas e muitas outras, até o próximo verão, em todas as livrarias, ou bancas de jornais, botequins, camelô....

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O DIREITO, O FUNK E A HIPOCRISIA

Constituição Federal :
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;


A nossa Constituição completou em outubro do ano passado 20 anos de existência. O seu texto, que apesar do domínio de conservadores no Congresso Constituinte, avançou em uma série de coisas, principalmente no que diz aos direitos e garantias individuais, previstos no art. 5º supra mencionado e em todos os seus 77 incisos, considerado “cláusula pétrea”, ou seja, não pode ser alvo de emenda constitucional, só podendo ser modificado por uma nova assembléia constituinte. Fizemos questão de mencionar o texto do inciso IX por uma razão em particular.

Desde o dia 18 de junho do ano passado está vigor no Estado do Rio de Janeiro a Lei 5.265, de autoria do ex-deputado Álvaro Lins, que impõe uma série de condições para a realização de bailes funk e festas de música eletrônica “denominadas raves”. Entre as exigências para a obtenção de uma autorização para o funcionamento, cujo pedido deverá ser protocolado com uma antecedência mínima de 30 dias, está o “nada a opor” do delegado de polícia e do comandante do batalhão da PM do local do evento. Ou seja, o direito da livre expressão da atividade artística previsto em uma cláusula pétrea da Constituição fica à mercê de delegados e comandantes da PM, o que vem gerando protestos que culminaram com a criação da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APA-FUNK) que tem como presidente o MC Leonardo, que vem lutando para derrubar o texto da lei por ser além de inconstitucional, preconceituoso, dando margem à abusos, com a proibição do Funk, hoje produto de exportação de nossa música, nas mesmas comunidades onde foi criado e de onde saíram seus principais artistas.

Semana passada, a Red Bull organizou um evento em comemoração aos 40 anos do Funk, o Red Bull Funk-se, onde reuniu em uma escola estadual da Tijuca, vários artistas, intelectuais e autoridades para falar sobre a história do Funk desde os seus primórdios até a cena atual, incluindo aí esta lei de cunho fascista, que praticamente proíbe os bailes nas comunidades, deixando o ritmo apenas para as boates da Zona Sul, onde os filhos da elite se divertem, enquanto a favela não tem o direito de expressar sua própria cultura. Este evento da Red Bull teve o apoio das Secretarias estaduais de Educação e de Cultura, que manifestaram o seu reconhecimento à esta face da cultura “vinda do andar de baixo”. No sábado, o evento foi fechado em um grande festão na Fundição Progresso, que reuniu desde o lendário Gerson King Combo com o seu Soul até os DJs e MCs do Funk atual. Tudo ocorreu na maior paz possível e até às 5h, quando a festa terminou não houve registro de quaquer tipo de tumulto.

Confesso que fiquei muito satisfeito com o resultado deste evento, que inclusive teve depoimentos expressivos como o do delegado de polícia Orlando Zaccone, que defendeu o Funk como cultura e a liberdade para a realização de seus bailes nas comunidades.

Hoje, ao abrir o jornal, vejo a declaração do novo comandante-geral da PM do Rio, Coronel Mário Sérgio Duarte, de que irá aumentar a repressão aos bailes funk “porque eles contribuem para o aumento da violência nas comunidades”. Ou seja, como a lei confere aos comandantes de BPM o poder de autorizar ou não a realização dos bailes, realmente as comunidades devem ficar sem a sua diversão. O funk no Rio, independente dos temas fúteis e muitas vezes até pornográficos que hoje dominam suas letras, sempre foi uma manifestação legítima da favela, assim como acontece com o Rap em São Paulo, que também é associado à violência, como também aconteceu com o samba no passado, quando era tratado como “coisa de favelado vagabundo”. Todos ritmos vindos das comunidades, es da cultura negra, e por isso menosprezados pela elite conservadora (apesar de seus filhos e netos gostarem).

Hoje é o dia mundial do Rock, que assim como a música eletrônica hoje em dia, foi associado ao consumo de drogas e também perseguido. Toda esta história me lembra aquela do marido que soube que sua mulher o traía com o vizinho no sofá da sala. Qual foi a solução? Tirar o sofá da sala.

Infelizmente em pleno ano de 2009, a hipocrisia de nossos governantes ainda é forte e sempre que possível, a senzala se mostra viva, apesar das leis em defesa dos direitos do cidadão, que se tornam letra morta a cada execução de um inocente na favela, em cada pontapé que é dado na porta de um barraco, em cada abuso de autoridade que faz mais do que atual a letra do hino da Internacional Socialista, composta em 1870, por Eugene Pottier quando o mesmo fala que “o crime do rico a lei o cobre, o Estado esmaga o oprimido. Não há direitos para o pobre e ao rico tudo é permitido”.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

CIC SOFRE INCÊNDIO

A sede do Centro Interativo de Circo (CIC), localizada no andar térreo da Fundição Progresso na Lapa sofreu, quinta passada, um incêndio que destruiu suas instalações e parte de seu equipamento. O CIC, que é uma ONG que vem prestando serviços importantes à cultura do Rio com suas diversas oficinas que oferece de forma generosa à população, ficou conhecido no meio do Hip Hop por sediar as batalhas de MCs "do Conhecimento" e "Resciclando pensamento". A primeira, comandada pelo MC Marechal, estará a partir de agosto, rodando o circuito das lonas culturais, o que já havia sido fechado entre o "Cavalo Banguela" e a Secretaria Municipal de Cultura.

O CIC, como seu coordenador, Gerard costuma relembrar, foi construído com muito esforço no local onde era o lixo da Fundição Progresso, na época de sua ocupação. A sua parcial destruição gerou muita comoção. Mas sabemos que da mesma forma que foi construído, poderá ser reconstruído, agora com a ajuda de centenas de pessoas que por lá passaram. Força Gerad! Nossa solidariedade.