sábado, 29 de novembro de 2008

4 de dezembro

"Neste dia em que completo a idade de Cristo
continuo na batalha assim como era previsto
parabéns pra você, muitos anos de vida
vou seguindo meu caminho, de cabeça erguida.
Antigamente aniversário era festa, presente
hoje o bom é tá em dia com as contas pendentes.
Maior presente Deus me deu, por isso nada me fulmina
minha mãe, minha Lua, minhas filhas Layla e Nina....

....Formado, pós-graduado, carteirinha da OAB
só que não é petição que dá tesão de escrever
e sem tesão não há solução dizia o velho anarquista
o coroa tem razão, esse é meu ponto de vista.
Larguei o terno e a gravata, pois disso eu cansei
fui pra Bahia muito doido trabalhar de DJ
começando do zero, um início difícil
mas consegui um destaque neste novo ofício.

Santa Bárbara da relampuê
Santa Bárbara da relampuá"

Trecho de composta em 4 de dezembro de 2002, que seria faixa do CD "Uma centelha incendeia a pradaria". Passados 6 anos, continuamos na correria, mas com a mesma cabeça erguida, olhando no olho, coisa que só aqueles que sempre fecharam com o justo podem fazer. Só tenho a agradecer a boa família que tenho, à minha mãe, não só pela criação e pelo carinho, mas pelo exemplo de caráter, à minha Lua que me deu os maiores presentes da minha vida: minhas filhas Layla e Nina. Aos amigos verdadeiros, ao público pelo apreço pelo meu trabalho, pois é isso a essência da vida. Agradeço à Deus e à minha querida Vovó Juliana que ergue seu escudo e me protege das mazelas e zé-povinhagens do mundo. Um pedido de presente: saúde, para que possa continuar a minha correria.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

RIO: CHOVEU, F.......!


O carioca mais uma vez sofreu hoje com o caos em que a cidade se transforma toda vez que chove. Bastou um temporal de pouco mais de uma hora para a cidade parar. Com várias ruas alagadas (como se pode ver na foto), o trânsito deu um verdadeiro nó, de norte à sul. Eu, que estava no Centro, no Seminário do Plano Nacional de Cultura, me senti ilhado, pois, com o aterro e parte da Praia do Flamengo alagados, os ônibus não andavam. A minha opção e a de muitos, foi o já sobrecarregado Metrô. Resultado: como não tinha bilhete, enfrentei uma fila de pelo menos meia hora. Bem menos do que os 10 minutos que o trem levou da Cinelândia até Botafogo. Lá chegando, deparei com várias ruas alagadas, que vão ficar ainda pior, com a especulação imobiliária desenfreada que existe no bairro, que já tem o seu sistema de esgotos funcionando acima do limite e, a cada casa que vai ao chão para dar lugar a um prédio com vários apartamentos, a situação fica pior. Espero sinceramente, que o prefeito eleito, Eduardo Paes, pise no freio desta situação, para o bem do bairro onde fui criado. A cidade precisa urgentemente de um plano diretor que a faça crescer de uma forma proporcional. Enquanto isso, é melhor levar pranchas e bóias para voltar do trabalho.

sábado, 8 de novembro de 2008

AS "VIÚVAS DO GABEIRA" E O GLOBO CONTRA JANDIRA

Não bastasse a manipulação das pesquisas no 1° turno, onde Jandira foi colocada para escanteio, embora estivesse empatada tecnicamente com Gabeira e Crivella, agora o Jornal O Globo, devidamente municiado pelas "viúvas do Gabeira", que insistem em não aceitar o resultado das urnas, mostrando o quanto são "democratas", ocupa praticamente há dois dias as seção "Cartas dos Leitores" com ataques à nomeação de Jandira para a pasta da cultura municipal, com o principal argumento de que "ela não é do ramo por ser médica". Esquecem que Jandira foi baterista profissional e é irmã do também músico Ricardo Feghali, tecladista do Roupa Nova e convive com pessoas do setor.

Ontem por exemplo tinha uma carta dizendo coisa do tipo: o povo do Rio na eleição pro senado mostrou que não quer essa mulher pra nada (detalhe que aqui na capital ela ganhou de longe o Dornelles). Outro, se dizendo "intelectual" se considerava "ultrajado". No jornal de hoje, inclusive diz, que ela não poderia ser secretária por ser comunista, uma vez que "o comunismo é contra as manifestações culturais". O interessante é a unidade do pensamento do tipo: a mulher é médica e, por mais que já tenha exercido a música, que tenha um convívio com vários setores da cultura, que foram ouvidos durante a campanha e, como resultado disso, tivemos um excelente programa de cultura para o município (que a maioria ou nenhuma destas pessoas sequer leu) não presta para o cargo porque não é "intelectual". Da mesma forma que Rap, Rock e Reggae não são cultura, só a música erudita. Grafite não é arte plástica e sim um mero vandalismo. E depois somos nós que temos pensamento "atrasado".

Outro dia fuçando o google, descobri um artigo em um blog criticando minha candidatura, dizendo : "o que um DJ tem a propor para a cidade??" e complementando: "é por isso que o Rio está assim". Verifiquei o perfil do autor e percebí que era um advogadozinho recém-formado, cagando pelos dedos (se estivesse falando seria pela boca, mas como faz uso do teclado...). Mandei uma mensagem simplesmente pedindo que acessasse o site da minha campanha para conhecer as propostas. Em sua resposta ele me pediu desculpas - não por perceber que um "mero DJ" tinha muito a dizer, mas porque viu na minha biografia que eu também era advogado. Ou seja: se eu me apresentasse como "Dr. Mauricio Carneiro pra renovar o Rio de Janeiro" e não tivesse uma proposta sequer, eu seria um bom candidato. Tempo depois, recebí um e-mail deste sujeito pedindo voto pro Gabeira. Sinceramente: já deu mais que no saco. A resposta será dada com a melhor gestão de cultura que esta cidade já teve.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

JANDIRA SERÁ A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE CULTURA



Foi confirmado hoje pelo prefeito eleito Eduardo Paes a ida de Jandira Feghali (na foto com a equipe que fez seu programa de cultura) na pasta da cultura municipal. O excelente programa para a área de cultura da campanha de Jandira - do qual ajudamos na elaboração - com certeza, colocado em prática, vai resgatar para o Rio o título de capital cultural do país, principalmente na democratização, na sua universalização e na questão da ocupação das ruas e praças com feiras de artesanato , rodas de samba e outras manifestações, além da recuperação dos equipamentos públicos e organismos como a RioFilmes e a RioArte. A tão falada Casa do Hip Hop da Lapa também foi um compromisso assumido por Jandira com o movimento, que deve se tornar realidade.

SEMÁFORO ELEITORAL É RELIGADO

Depois de quase um mês, o já famoso sinal de pedestres da Rua General Polidoro, em Botafogo, finalmente foi religado. A vereadora Leila do Flamengo, que estava como 1ª suplente de seu partido (DEMo) acabou sendo beneficiada pela cassação do mandato do vereador eleito e presidente atual da câmara (que neste momento, com a viagem do alcaide, ocupa a cadeira de prefeito) Aloisio de Freitas, em razão de "uso da máquina pública".
Ué, o exemplo deste sinal o que seria afinal?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O HIP HOP CRESCE NOVAMENTE


Que o Rio é a cidade da marola, isso ninguém duvida. Inclusive foi alvo de nossa última publicação.


Agora os fatos vem refutando de forma contundente o argumento de que “o hip hop já era”. Basta olharmos para a cena no eixo centro-zona sul. Esta semana por exemplo: amanhã estréia no clandestino a festa “Sessão Hip Hop” que vai ocupar todas as quartas de novembro naquele club. Na quinta, além do Reciclando Pensamentos e da Batalha do Conhecimento no CIC, na Lapa, temos a festa do DJ Kymbo na Dolce Vita em Copacabana. Isso sem falar da festa Spraysom que ocorre de forma mensal. Sexta-feira a festa Becape no 00, na Gávea, onde divido as carrapetas com o DJ Paulo Futura, vem lotando a casa desde janeiro com um público seleto. Na mesma sexta, a recente Namastê, tb na Gávea, tb vem investindo em black music e recebendo bom público, temos em Copacabana, o Clandestino com a Black Friday acontecendo há mais de um ano, a velha e boa Six continua com o Hip Hop sexta e sábado na sua programação – isso sem falar na festa Fúria Hip Hop toda sexta na FEBARJ, que acontece há 10 anos. No sábado a DolceVita volta a colocar o hip hop como carro chefe e tb vem atraíndo um bom número de clientes. Sem falar nas festas mensais Blax e Funktastik que acontecem no Cinematheque, em Botafogo. Isso porque não mencionamos as demais casas do main stream que colocaram o Hip hop como ítem obrigatório em sua programação.
A grande novidade, de uns dois anos pra cá é o estabelecimento do bounce tipo de Rap lento e quebrado, proveniente do sul dos EUA, que antigamente não caía no gosto do público e desde que Beyoncé no clipe de "check on it", mostrou pra mulherada como é que se quebrava pra valer, passou a ser ítem obrigatório na lista dos principais DJs. O hit atual das rádios deste segmento é Lil Wayne ( que está numa grande alta no mundo inteiro) com "Lollipop".

O Rap nacional, antes o patinho feio das pistas, vem tomando seu espaço e hoje, eu que batalhei nas pistas e no rádio por isso, tenho a satisfação de receber vários pedidos – principalmente de mulheres – para tocar as coisas pátrias. Destaque para Jacksom, Gutierrez, MV Bill (na foto comigo nos áureos tempos da extinta Bunker), Marechal, Black Alien ,Rappin Hood e Thaíde. Por isso que quando as pessoas vem com este papo de “o hip hip hop já era” é das duas uma: ou é um idiota alienado ou é mais um mal intencionado fazendo campanha contra por algum motivo de cunho pessoal ou profissional.


Listinha de Raps nacionais de pista:


Thaíde - “mão pra cima”
Jacksom - “motel” e “meu dindin”
Marechal – “Sua mina ouve meu Rap”
Xis – “Ei hey'
De conceito - “se virá virô”
Black Alien - “Mr. Niterói” e “Perícia na delícia”
Sabotage – Mun-rá
MV Bill - “estilo vagabundo” e “Junto e misturado”
DJ Saddam - “V.I.P.”
Hannah Lima - “Essa é pra dançar”
U time – “a idéia”
DJ Hum, Treze e Xis - “Vem comigo”
Enganjaduz - “blá blá blá”
Gutierrez - “toca nas pistas”
Da Guedes - “Bem nessa”


Baixe, escute e dance!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Rio - cidade da marola


Há mais ou menos oito anos atrás eu tive um momento muito delicado em minha carreira. Eu vivia uma transição: mesmo com o funk em uma relativa alta e o Rap como uma mera expectativa, decidi segmentar meu trabalho – que sempre teve o hip hop presente desde os primórdios, em meados dos anos 90, no Burako Loko em Arraial D'Ajuda – para a Black Music.

Nesta época, sofri muito preconceito: no lado do Rap me viam como mais um oportunista que queria usar o Rap pra se dar bem (quem se deu bem com o Rap tirando o D2, o Gabriel e o pessoal dos Racionais?), um 'playboy jiujiteiro”. Por outro lado, no chamado main stream as mesmas pessoas que me tratavam como ídolo devido ao sucesso de “Calça da Gang”e batiam bundinha no “Caldeirão do El Turf” passaram a me taxar como “funkeiro metido a tocar hip hop” -como se essas mesmas pessoas que na referida festa na Gávea, onde, pasmem, eu tocava por oito horas seguidas, nunca tivessem percebido, que pelo menos metade deste tempo era ocupado pelo Rap e pelo R´n´B, conhecido aqui no Rio pelo vulgo de Charme.

Foi uma época difícil, portas se fechando e eu me lembro de uma determinada situação, quequase me levou a abandonar a profissão: eu iria tocar em uma casa famosa no Leblon, numa festa que rolava quarta-feira para um público que chamam de “formador de opinião” (muitas vezes esta opinião é prá lá de obtusa, mas tudo bem). Mandei um e-mail para o César Tartaglia do O Globo, que na época escrevia uma coluna muito lida chamada “Pessoas”, pedindo para que desse uma notinha sobre a minha participação na tal festa no Leblon, no que fui atendido com uma nota muito bacana. Quando estava no meu carro indo de Laranjeiras (onde eu na época morava) para a tal festa, já na Lagoa, recebi uma ligação do produtor do evento, dizendo que não era mais para eu ir. Ao indagar o motivo, veio a resposta: os seus sócios no evento – que na época eram de uma ONG assistencialista – viram a nota no jornal e acharam que a minha participação iria “queimar o evento”. Afinal, como poderia um ex-funkeiro, tocar para este público “formador de opinião”? Fiquei arrasado. Encostei o meu carro naquele posto BR em frente ao Parque dos Patins e comecei a chorar, meio que de raiva, meio que de desilusão. Como as pessoas poderiam ser tão preconceituosas assim? E olha que eu sempre pertenci à classe média, frequentava praia no Posto 9 e no Country em Ipanema, faixa-preta de Carlson Gracie, ao mesmo tempo que desde a década de 80 frequentei templos do underground carioca como os extintos Crepúsculo de Cubatão e Dr Smith assim como frequentava na época a Bunker, rotulada por muitos como “casa de viado”. Imaginem só se eu fosse alguém de comunidade? Mas, levantei a cabeça e segui em frente na minha luta, muitas vezes metendo o pé na porta, mostrando serviço e personalidade,conquistando o respeito de todos, principalmente do movimento hip hop local e nacional, do qual me considero um militante.

O engraçado é que este mesmo público “formador de opinião”, que era do hip hop, algum tempo depois, passou novamente a venerar ídolos do funk como DJ Marlboro, Catra e Sapão e, hoje em dia, curte música eletrônica e vai para as raves, pois o Rio é a cidade da marola. E como bom maroleiro, grande parte deste público, com todos os seus preconceitos, rótulos e estereótipos, aderiu em peso à tal “onda verde” que queria levar Gabeira à prefeitura do Rio de Janeiro, cuja candidatura sempre se valeu de artistas meio que sofisticados em sua campanha e, que no final, pra dar um “q” de popular, colocou uma declaração do MC Marcinho – que ao contrário dos outros aristas, não apareceu cantando, porque colocar o “tamborzão” pra tocar também seria para este povo elitista, demais da conta. A tal “onda verde”, felizmente, como todas as outras, terminou em espuma a morreu na praia, para o bem de nossa cidade.

É por isso que em 2004 eu gravei o Rap V.I.P. (Vim Impossibilitado de Pagar) que fala mais ou menos deste “Rio da Marola” onde fiz questão de fazer alusão ao povo “formador de opinião”, cujo clipe, dirigido por Jodele Larcher, exibido em várias emissoras, concorreu, naquele ano aos Prêmios Hutuz, VMB e da ABC. Assista e divirta-se: http://www.youtube.com/watch?v=BLIaylFReos